Nas guerras do cangaço.
A guerra dos cangaceiros
...Lá pelas altas horas,
Os minutos
já corriam
Os relógios
já
Marcavam,
As estrelas
apagavam
Lá no céu já
confirmava
Primeiras
horas do dia.
Eles não
sentiam sono,
Às horas já
não dormiam,
Os casais se
esbaldavam,
Ninguém era
de ninguém,
Os pares se
invertiam,
Juana mulher
de Zeca
Ficava com
seu Bibico
E Pretinha
sua esposa
Se entregava
a tio Chico.
Era tanto
resfôlego
Destas
mulheres vadias,
Melavam-se e
se curtiam,
Desde os
meninos moço
Até José com
Titia,
Exaltavam gritando
viva
Em momento
de alegria.
Os povos
desta festança
Ficaram
todos assustados
Começaram se
formar
Uma grande
correria.
Fogo pra
todo lado,
Os cabras de
lampião
Acionavam o
gatilho
Chumbo grosso disparado
As bocas das
escopetas
Nos
estampidos de tiros,
As espoletas
explodiam.
As balas
cortava tudo,
Até os
galhos dos matos,
Das
grandes sucupiras.
Os festeiros
apavorados
De tanto
medo,
Suava frio e
gemia.
Corriam pra
todos os lados,
Sem saber
aonde iam,
Os tiros iam
zunindo,
E eles se
escondiam,
Mas os
cabras atiradores
Sabiam o que
faziam,
Não era
contra os festeiros
Que esta
luta acontecia.
No meio da
multidão
Os soldados
capturas
Estavam
pronto para agir,
Mas na hora
do embate
As pernas
ficavam bambas
Afrouxavam
em covardia,
Suava com
muito frio,
E até
desfalecia.
Saíram na
disparada,
De medo de
morrer
Só pensavam
em fugir,
Borravam-se
de pavor,
E a tudo se
valia.
O Sargento Abdias
E o cabo Zé Maria
Mais outros
milicianos
Meteram a
cara no mundo
E por
aqueles caminhos
Em poucos
minutos sumia.
Com aquele
corre e corre
Os cabras
deixaram a dança,
Acudiram as
crianças
Pras balas
não acertar.
Largaram as
damas os parceiros
Na hora do
entrevero
Pros tiros
não machucar.
Corriam para
todos os lados,
Escondiam se
podiam,
Iam debaixo
da mesa,
Chocava uns
ao outros,
Embaraçavam
e caia.
Derrubaram o
pilão,
Perderam até
os sapatos,
Um grande
alvoroço,
Um fuzuê em
relato,
Ninguém se
via
Entendia,
Havia gente
escondida
Até no meio
do mato.
Pisaram no
rabo do gato,
Gente rolava
no chão
Indo ou
vindo sem direção,
Nesta grande confusão,
De tudo
acontecia,
Era doideira
de fato.
Machucaram
dona Teca,
Esfolaram
dona Mica,
Tropeçaram
no cachorro
Caíram de
bunda no taxo,
Derramaram a
canjica.
Ouviam-se os
estampidos,
De tiros que
explodia
Tinindo
furando tudo
Era bala
assassina,
Cortava até
pau dos grossos
Rebentando
até embira.
A mocinha
assustada
Chorava, mijava e tremia,
Com olhos
arregalados
Pedia ajuda
a todos, mas
No meio do
tumulto ninguém
Escutava, ninguém
via.
Na mira das
bocas de fogos
Só fumaça
que saia
Como besouro
sem asa
Esquentado
que nem brasa
Furava as
portas das casas
Era guerra
verdadeira
Até telhas
dos telhados
Em cacos
multiplicava
Á muitos
metros caia.
Antônio
Herrero Portilho
Hoje/24 de
junho de 2017

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